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Este é um blog de participação espontânea e colaborativa.

As opiniões aqui emitidas não refletem o pensamento da Editora.

Velho boiadeiro

Por Paulo Pazz


O cheiro forte da estrada

Feita de pedra e de poeira

Me pega pela saudade

Dos meus tempos de boiadeiro

Quando corria o mundo inteiro

No lombo suado de um cavalo.

Tempo bom que o tempo ruiu

Nas invernadas dos anos

E hoje a saudade é um rio

Que faz novelo na garganta

E daí me vem esse pranto

Que me sufoca e que me cala.

Cada vez mais me afundo

Carcomido pela idade.

Fazendo peso no mundo,

Prisioneiro nessa cidade,

Onde não existe boiada

Nem sedenho no prego da sala.



Sou um velho esquecido

Por esse mundo de meu Deus

Que o progresso matou em vida.

Mas minha alma tem guarida

E meu peito acoita o adeus