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Poesia é paixão que vem de berço

Por Fabiana Esteves



Mulher de olhos fechados com um livro na mão e muitas luzes em volta

Desde 2006 participo de um encontro poético mensal com amigos que conheci através das aulas de teatro, o Poexistência. De frequentadora assídua, fui promovida e agora integro a comissão organizadora do evento. Quando as meninas nasceram, fiquei um tempo afastada, mas quando voltei, levei as duas e, tomada pela emoção, escrevi esta carta aos meus companheiros de poesia.


Caros amigos do Poexistência,


Acho que estas palavras não nascerão em forma de versos, mas pouco importa. São seis da manhã e desisti de lutar com elas, que me sobem ao teclado e à garganta. Desde às três venho tecendo entre os lençóis algumas palavras sobre o momento de ontem. Graças a vocês, a existência das minhas pequenas não será apenas mais uma entre tantas outras. Assim como a de vocês, eu sei que também não é. Vocês fazem diferença no mundo. Graças a vocês e suas sutis delicadezas, elas comerão o poema mesmo antes de dar os primeiros passos e não sonharão a vida toda em ser fiscal de renda. Como um galo tecendo a manhã elas criarão novas tramas, de arte ou não, mas fazendo com que de cada dia de vida ou de labuta se teça um fio novo de beleza, ainda que deles faça parte este sofrer que nos caracteriza. Estas palavras talvez já estejam gastas, mas ainda acredito, como disse um poeta de versos infantis, que os brinquedos se gastam, mas as palavras não, quanto mais a gente brinca com elas, mais novas elas se tornam. Graças a vocês elas terão sempre novas palavras para brincar. Assim como nós estávamos atentos em descobrir o que era “ilharga” (é assim que se escreve?). Será uma ilha larga? Sim, amigos, nossa ilha é muito larga para caber todos os sonhos do mundo, todas os versos de todos os poetas que talvez não tenham entrado na Academia Brasileira de Letras, mas estão no lugar mais importante, no coração e na mente da gente, que sente o poema antes de procurar a palavra no dicionário. E inventa, inventa... porque têm a arte nas ventas...


Dez coisas que foram lindas:

1. Roberto lendo o poema que a Ísis comeu, dizendo que ela escolheu aquele, e tinha que ser lido. Ao terminar a leitura, todos concordaram que foi uma excelente escolha;

2. Ísis falando durante as leituras, afirmando “ã”;

3. Tânia escrevendo um poema na hora para as duas (As gêmeas chegaram);

4. Marta lendo pra Ísis o livro de banho imitando a voz do tubarão;

5. As duas explorando o espaço livre, sem restrições;

6. Laís tímida (vê se pode?), depois se soltando; e encostando a cabeça no peito do pai;

7. Papai sentado no chão brincando com as duas;

8. A gente descobrindo as palavras da Hilda Hilst;

9. Encontrar um poema chamado “Meninas” no livro da Viviane Mosé (tudo a ver com elas);

10. Ísis tentando andar, um pouquinho pelas mãos de cada um.


Obrigada por estas horas de deleite e... até o mês que vem!


26/04/2009, depois do primeiro Poexistência de Laís e Ísis





Na imagem acima, registros de dois encontros do coletivo Poexistência, com Fabiana Esteves, Laís, Ísis e outros participantes do coletivo.




 

Autoria


Fabiana Esteves é Pedagoga formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNiRIO) e Especialista em Administração Escolar. Trabalhou como professora alfabetizadora na Prefeitura do Rio de Janeiro e no Estado do Rio com Educação de Jovens e Adultos. Trabalhou como assessora pedagógica e formadora nos cursos FAP (Formação em alfabetização Plena) e ALFALETRAR, ambos promovidos pela Secretaria de Educação do mesmo município. Também foi Orientadora de Estudos do Pacto pela Alfabetização na Idade Certa, programa de formação em parceria do município com o MEC. Em 2015 coordenou a Divisão de Leitura da SME de Duque de Caxias (RJ). Atualmente, é Orientadora Pedagógica da Prefeitura de Duque de Caxias, onde tem se dedicado à formação docente. Escritora e poeta, participou de concursos de poesia promovidos pelo SESC (1º lugar em 1995 e 3º lugar em 1999) e teve seus textos publicados em diversas antologias pela Editora Litteris. Escreve para os blogs “Mami em dose dupla” e “Proseteando”. Publicou os livros “In-verso”, "Pó de Saudade", "Maiúscula", "A Encantadora de Barcos" e "Coisas de Sentir, de Comer e de Vestir". É mãe das gêmeas Laís e Ísis.


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