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Na Natureza Selvagem

Por Gilson Salomão Pessôa



O teórico iluminista Jean-Jacques Rousseau acreditava que o ambiente natural é extremamente abundante e acolhedor, a ponto de parecer ter sido criado na medida exata para servir ao homem, particularmente em termos de recursos alimentares, sendo, aliás, a preservação uma das poucas preocupações, senão a única, do homem no estado de natureza.


A relação do indivíduo com seu ecossistema é permeada por um ingrediente idílico marcado por uma complementaridade absoluta entre aqueles elementos. O equilíbrio dessa relação só vai-se romper quando ela começa a inserir-se num contexto dominado pela sociedade e pela civilização com as consequências necessariamente negativas que elas trazem. A seguinte projeção dialoga com este tema.


Baseado no livro de Jon Krakauer, o filme conta a história verídica de Christopher McCandless, um jovem incrivelmente inteligente e sensível que abandona seus pais e sua irmã para embarcar em uma jornada rumo ao Alasca, buscando uma integração com o meio ambiente e fugindo da ditadura normativa da sociedade.


Inspirado pelas ideias dos escritores Tolstoi, Jack London e Henry David Thoreau o rapaz se livra de todos os seus excessos materiais e segue pegando carona e ocasionalmente alguns serviços para conseguir alimento ou moradia temporária, sempre disposto a trocar suas impressões a respeito da vida e seus objetivos com aqueles que encontra pelo caminho.


A película é um ensaio interessante sobre a acomodação humana que abre mão do prazer experimental de perceber os simples prazeres ao redor para viver sob a égide da falsa sensação de segurança e conforto.


Vivemos tão preocupados em seguir a cartilha comportamental que deixamos de perceber uma paisagem ou até mesmo sentir o sabor de um alimento. O protagonista não permite que nenhum tipo de obstáculo o impeça de alcançar suas vontades.


As diferentes perspectivas das pessoas que Chris encontra em seu caminho permitem um confronto interessante e inteligente com os seus ideais, já que o espírito humano tem carência de compartilhar suas impressões e desejos.


A montagem da história em capítulos feita pelo cineasta Sean Penn confirma que o amadurecimento do aventureiro aconteceu durante a sua travessia e não após ter alcançado seu destino.


Vários são os caminhos para alcançar o espaço visceral da alma e encontrar a realização pessoal.


O diário do personagem principal é um interessante recurso para expressar as opiniões de Chris enquanto atravessa seu exílio dentro de um ônibus abandonado no Alasca que ele usa como moradia durante este período.


A fotografia e a esplendida trilha sonora merecem um destaque especial, conferindo uma leitura poética da temática exposta na projeção.


No que se refere ao elenco a menção especial vai para Emile Hirsch, retratando um protagonista convicto de sua ideologia sendo tragado pela solidão que ele teima em ignorar. Além disso, vale apontar as excelentes atuações de William Hurt, Márcia Gay Harden, Catherine Keener e Vince Vaughn.


Uma película belíssima sobre as potencialidades da essência humana quando disposta a enfrentar todos os desafios para encontrar seu verdadeiro propósito levando em conta sua posição geográfica e contexto histórico.



Foto real de Christopher McCandless



 

Autoria



Gilson Salomão Pessôa é jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora, com Pós Graduação em Globalização, Mídia e Cidadania pela mesma faculdade. Publicou os livros "Histórias de Titãs Quebradiços" e "Um Suspiro Resgatado".

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