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Tia Cinira

Por Camilo de Lellis Fontanin



Creio que todos nós temos uma pessoa pela qual somos gratos a Deus por ela ter existido, ou ainda existir, e da qual não esqueceremos nunca. No meu caso, foi a irmã mais velha da minha mãe, a minha tia e segunda mãe, Cinira.


Tia Cinira não se casou. Embora, segundo ela própria dizia, tivesse tido um namorado e pretendente. Como permaneceu solteira, foi ficando para cuidar dos meus avós e de nossos outros familiares, quando caíam doentes.


Mas ela não foi só cuidadora, também trabalhou durante 40 anos em algumas indústrias têxteis na cidade onde moro ainda hoje. Ela foi uma companheira inseparável da minha avó Maria e ajudou, ainda, a meus pais na criação dos dois filhos.


Muito religiosa, pertenceu à Irmandade das Filhas de Maria e, por mais de trinta anos, prestou auxilio na igreja de nossa Paróquia.


E, como toda boa tia, ela também tinha seus dons culinários. E que dons! Suas especialidades eram os doces em caldas. Doces de abóbora, mamão, laranja, figo...


Tia Cinira tinha uma paixão, que carregava consigo desde a infância, quando aprendeu a ler e a escrever, frequentando a Escola Rural; a leitura de toda obra que lhe caísse em mãos. Apesar de gostar de ler todos os estilos literários, a Literatura Brasileira e a Teologia Católica eram as que compunham a sua pequena biblioteca.


Foi ela quem me presenteou com meu primeiro livro, um exemplar de história infanto-juvenil, que não fazia parte do currículo escolar do, então, Curso Primário da década de 70. Assim, "Memórias de um cabo de vassoura", de Orígenes Lessa, foi o primeiro livro que ganhei nesses meus 58 anos de vida.


Ela deve ter visto, em meus olhos de menino de oito anos, a intensidade que surgiu neles logo depois que terminei de ler. E, baseada nisso, dias após a entrega do primeiro presente, deu-me mais três obras-primas.


Essa minha Tia Cinira era realmente muito mais que uma tia, ela foi minha segunda mãe e uma Grande Amiga.




Autoria



Camilo de Lellis Fontanin nasceu em 1962, na cidade de Americana. São mais de 50 anos de amor aos livros de Poesia, Romance, Conto, Crônica e também aos livros de Psicologia, Psicanálise e Física.

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