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As opiniões aqui emitidas não refletem o pensamento da Editora.

Tempo de invencionices

Por Fabiana Esteves



Criança brincando dentro de uma caixa de papelão

O tempo passa a perna na gente e a rasteira às vezes é tão intensa que sobra pouco lugar de nostalgia.


Laís vive de fone e nunca escuta quando eu chamo. Isis já não escutava antes, é dela. Uma mergulhada na música, outra nos animes. Deu saudade de anos atrás, quando a casa era um festival de papel picado, canetinhas e tinta guache. Havia choro quando eu jogava uma caixa de papelão fora. Melhor do que qualquer brinquedo, elas eram o passaporte certo para a imaginação.


Achei este relato de oito anos atrás deste período e dei um pulinho no passado para reviver estes momentos mágicos.

"A caixa que embalava minhas encomendas virou uma casa, um capacete de bombeiro e, depois de toda furadinha com lápis de cor, uma caverna repleta de icebergs. Pecado pedir que elas parem para fazer o trabalho de casa. Não pedi, recolhi-me ao posto de observadora atenta. Não quero mais ser aquela que impede, tolhe, ordena, julga... Quero ser aquela que ajuda, atende, acolhe e ama. E mais nada. Recolho-me às insignificâncias da minha humilde função: ser mãe, ainda que o cargo me custe uma casa desarrumada (indigna de visitas mais exigentes), um relógio biológico onde se marcam um sem-número de noites mal dormidas, um cabelo por pintar, uma perna por depilar ou um outro curso de pós graduação por começar. Não procuro reconhecimento futuro, virtudes acadêmicas... Apenas dois rostinhos que me fitem, ao final do dia, cansados de muitas e muitas invencionices…"




Laís e Ísis, filhas de Fabiana Esteves

Nas fotos acima, Ísis e Laís, filhas de Fabiana Esteves.






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