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Será mesmo que não deixo que ela cresça?

  • 1 de mar. de 2023
  • 2 min de leitura

Por Fabiana Esteves


Mãe caminhando de braços dados com filha


Ela me pergunta com ares de melancolia porque insisto nas correntes adolescentes que a privam de viver assim um pouco mais intensamente. Usou brilhantemente a palavra autonomia no seu sentido mais amplo. E como a personagem do livro do Carpinejar, desejou apagar as velas do seu próprio bolo sem que eu, a mãe, corresse e soprasse na frente.


(Será mesmo que não deixo que ela cresça?)


Eu repito que o ventre livre não livra de todos os perigos desta vida, eu não me sinto pronta para parar de lamber a membrana gelatinosa que cobre seu corpo miúdo, ainda não ofereci o copo para começar o desmame, meu peito ainda jorra o leite mais nutritivo do mundo - ela sabe que desprezo as frases longas demais e repletas de vírgulas nos entremeios- mas respondo em prosa que é a escrita que ela gosta de ler. Tento, embora não me seja natural.


Nem me atrevo a reescrever

O Mundo é o Moinho

(Meus versos não tem a cadência perfeita do mestre Cartola)


Acho que ela percebeu

Que o medo dela

Também é o meu


Embora sejam medos diferentes, os dois aceleram o coração, deixam a boca seca e o pulmão buscando um ar que não vem.

Eu sei. Eu sei de tudo isso. Eu entendo? No meu tempo era diferente (estou dizendo isto?)


A palavra ficou suspensa no ar quente do quarto que vive trancado.


Afinal

São sombrios os tempos

São sombrias as ruas

São fugazes as paixões

E instáveis as estações




Fabiana Esteves com suas filhas Ísis e Laís.

Fabiana Esteves com suas filhas Ísis e Laís.


Autoria


Autora Fabiana Esteves

Fabiana Esteves é Pedagoga formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNiRIO) e Especialista em Administração Escolar. Trabalhou como professora alfabetizadora na Prefeitura do Rio de Janeiro e no Estado do Rio com Educação de Jovens e Adultos. Trabalhou como assessora pedagógica e formadora nos cursos FAP (Formação em alfabetização Plena) e ALFALETRAR, ambos promovidos pela Secretaria de Educação do mesmo município. Também foi Orientadora de Estudos do Pacto pela Alfabetização na Idade Certa, programa de formação em parceria do município com o MEC. Em 2015 coordenou a Divisão de Leitura da SME de Duque de Caxias (RJ). Atualmente, é Orientadora Pedagógica da Prefeitura de Duque de Caxias, onde tem se dedicado à formação docente. Escritora e poeta, participou de concursos de poesia promovidos pelo SESC (1º lugar em 1995 e 3º lugar em 1999) e teve seus textos publicados em diversas antologias pela Editora Litteris. Escreve para os blogs “Mami em dose dupla” e “Proseteando”. Publicou os livros “In-verso”, "Pó de Saudade", "Maiúscula", "A Encantadora de Barcos" e "Coisas de Sentir, de Comer e de Vestir". É mãe das gêmeas Laís e Ísis.


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