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Ponyo à Beira Mar

Por Gilson Salomão Pessôa



As animações dirigidas por Hayao Miyazaki, são conhecidas por seu traço característico e o tratamento poético da natureza humana, bem como sua simbiose com o meio ambiente em que estão inseridos.


Personagens que precisam seguir uma travessia para encontrar a verdadeira essência que os define e motiva. Metamorfoses físicas e emocionais que traduzem o constante estado de mutação da consciência.


A narrativa lírica desta película, inspirada no conto “A pequena sereia” de Hans Christian Andersen, conta a estória de “uma peixinha”, filha de uma Deusa marinha com um feiticeiro que resolveu se refugiar no leito submarino, decepcionado e amargurado com o comportamento abusivo dos homens em relação ao mundo aquático.


Certo dia a protagonista adormece em cima de uma medusa e vai acidentalmente parar na superfície, onde quase é pescada pela rede de um barco e termina presa em um jarro de vidro.


Ela é salva pelo pequeno Sosuke, que a adota e batiza de Ponyo. Os dois tornam-se grandes amigos e depois que seu pai a leva de volta para o fundo do oceano a “garota” resolve fugir para reencontrar seu companheiro, agora com seu DNA modificado depois de lamber uma ferida no dedo dele.


Ao liberar magia para tornar-se humana, ela acaba causando um desequilíbrio que ameaça inundar a pequena cidade costeira onde o menino vive. Além disso, a mutação somente tornar-se-á duradoura se o garoto provar uma verdadeira adoração pela amiga, caso contrário ela será transformada em espuma.


A beleza gráfica dos cenários ilustrados realça os detalhes que contribuem para cativar o público revelando características bastante peculiares dos personagens, como o gosto de Ponyo por presunto e seu fascínio por cada coisa nova que aprende.


A água e outros cenários da película foram trabalhados em aquarela, uma preferência do cineasta. O resultado é um fantástico painel onde todos os elementos pulsam de forma impressionante, criando um deleite visual único.


O diretor também inclui uma sutil discussão sobre a necessidade de cuidado com a parte hidrográfica do planeta, já que ela é o berço da vida na Terra e seu ecossistema é fundamental para a preservação da vida terrestre.


Interessante comentar ainda a atenção no trabalho do perfil psicológico dos personagens, mostrando suas qualidades e defeitos a fim de evitar uma leitura maniqueísta da história, como é o caso do mago que embora pareça ser alguém controlador e vingativo, na verdade é somente uma pessoa ressentida que teme pelo destino de sua prole num lugar onde ele não pode protegê-la. Da mesma forma, o pai de Sosuke está sempre navegando, o que magoa bastante a sua esposa, embora ele não tenha alternativa.


Uma leitura idílica sobre a fusão de dois universos tão opostos e tangentes que precisam viver uma relação de mútuo respeito a fim de alcançar sua sincronia. O reencontro com a identidade interior através do encantamento inscrito no infinito sonhado dos oceanos.




Autoria



Gilson Salomão Pessôa é jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora, com Pós Graduação em Globalização, Mídia e Cidadania pela mesma faculdade. Publicou os livros "Histórias de Titãs Quebradiços" e "Um Suspiro Resgatado".


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