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O delicioso sabor das leituras virtuais em voz alta

Por Fabiana Esteves




A escola da Laís adotou três livros de leitura para o ano de 2020 (que ainda não terminou), dois deles sobre a Segunda Guerra Mundial, um assunto que sempre a move. Quem acompanha minha coluna aqui, sabe. Um deles, o "Uma vez", de Morris Gleitzman (Editora Paz e Terra), Laís leu logo que o livro chegou. Tornou-se o preferido dela. E também o preferido de outros alunos da turma. Já fez resenha no Instagram do Prosinhas, conversou muito comigo sobre ele, mas como eu não havia lido, não conseguia enxergar o alcance da obra. No entanto, a professora programou uma leitura comentada semanal online, mas não obrigatória. Como neste dia estou em casa, comecei a acompanhar.


A leitura em voz alta é dividida entre a professora e os alunos, entremeada com a discussão de alguns pontos mais importantes. E eu, ali, revivendo o meu lugar de ouvinte no colo da mãe… Há quanto tempo ninguém lê para mim em voz alta! Assim, em capítulos, deixando a parte mais emocionante para a semana que vem…


Entendo agora o encanto da minha filha com esta obra incrível! A família judia do protagonista trabalha com livros e este se torna o motivo das perseguições pelos nazistas. Nada tão nosso, uma família completamente apaixonada por livros… A ingenuidade do menino realmente toca muito a gente. E as tragédias inerentes à guerra são descritas com maestria e de maneira até leve, pois o ponto de vista é o da criança…


De vez em quando uma lágrima furtiva cai aqui. E me pergunto porque nós adultos não fazemos isso mais vezes… Por que não organizamos momentos de leitura coletiva do mesmo jeito, ou com o mesmo entusiasmo, que assistimos a séries e realities shows? Se minha internet fosse melhor, talvez eu pudesse coordenar uma iniciativa desta natureza, um clube do livro que eu sempre achei que odiaria, mas a experiência me mostra que não.


Enquanto isso, minha mãe segue nesta prática com seus alunos também pelo aplicativo de videoconferência. Já leu "Reinações de Narizinho'' e agora lê "Poliana". Narra com empolgação as observações de seus pupilos e a tristeza quando precisam parar para dedicarem-se a outra atividade.


Eu já ouvi muito de professores que não fazem isso porque nunca dá tempo, ou porque acreditam realmente que estão gastando um tempo precioso que poderia ser usado para algum conteúdo que vai cair na prova. Lamentável. Se há um momento em que a palavra se deita no colo da gente é neste momento mágico entre leitor e ouvinte. Até o virar da página e a respiração de quem lê torna-se a mais pura expressão de afeto. Querem tentar? Eu garanto que não vão se arrepender…