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Nova York, de Will Eisner

Por Gilson Salomão Pessôa



Nova York é uma cidade icônica, seja nas canções de George Gershwin e Frank Sinatra, ou transformada em personagem nos filmes de Woody Allen. Cartão de visitas da "terra das oportunidades", foi lentamente se transformando num caldeirão étnico e multipolarizado, onde diferentes culturas dialogam entre sim e contribuem para enriquecer a essência dessa polis onde o novo e o velho coexistem e se afirmam.


O quadrinista Will Eisner retrata com eficiência os microcosmos que configuram o mosaico desta grande metrópole, dividindo em capítulos esse imenso poema visual. Nessas categorias o autor explora a relação dos habitantes com o clima, o tempo e o espaço urbano, transpirando uma simbiose que pulsa de forma orgânica projetando um estilo único de narrativa fluida, relatando pequenas histórias tão peculiares e ao mesmo tempo identificáveis a qualquer morador de uma grande cidade. O particular projetado de maneira universal.


O olhar humanista de Eisner homenageia a cidade em questão enquanto ilustra estas tragicômicas batalhas diárias, traçando dessa forma um painel de comportamentos familiares e idiossincráticos. De maneira igualmente genial ele destila uma ácida crítica a todo o processo de atomização que qualquer grande metrópole inadvertidamente exerce sobre aqueles que moram nela.


O autor usa de humor e poesia para retratar esses pequenos grandes momentos do cotidiano, que podem transformar um dia, fazendo brotar um sorriso ou uma lágrima no rosto. A estranha sinfonia de concreto que define enquanto oprime. A natureza humana desenhando sua tortuosa trajetória em meio ao concreto imponente dos prédios que protegem e isolam.


Uma obra bastante atual sobre o desafio rotineiro de sublimar a selva de pedra, encontrando delicadeza e suavidade nos instantes mais díspares, a nostalgia e a saudade despertando nossas identidades mais viscerais e proporcionando uma perspectiva muito especial desse singular caleidoscópio comportamental que sempre traz um contorno diferente sobre o asfalto.



Autoria

Gilson Salomão Pessôa é jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora, com Pós Graduação em Globalização, Mídia e Cidadania pela mesma faculdade. Publicou os livros "Histórias de Titãs Quebradiços" e "Um Suspiro Resgatado".

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