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No escuro da noite

Por Fabiana Esteves



Quando era bem "mais pequena", ao fitar o escuro do céu através da janela fechada, disse Laís: "Eu vou por ali, no meio da noite..." Eu sorri, ela também, e continuou: "Você vai comigo!". Cansava de repetir que os seres humanos não voam, mas quando ela me disse esta frase eu já sabia que pensava em voar, assim como no filme do Peter Pan (que as duas assistiram na época, encantadas, ainda que não tivessem resistido ao medo dos ataques de Capitão Gancho) depois de uma chuva dourada de pozinho mágico.


Tudo que eu dissesse não lhe tirava o brilho de procurar estrelas, de pé na poltrona, a rede de segurança a separando do seu sonho. Incansável, ela chamou a mim, a irmã (que ora gritava de alegria, ora ignorava, preferindo inventar uma conversa indesfiável entre dois lápis de cor com direito a tapas, beijos, caras e bocas) ou a quem passasse por perto com um entusiasmo desses que a gente perde com o tempo, que as gasturas da vida cuidam de dissolver...


Vale ficar indignada com escondidelas atrás das nuvens e consolar-se com saltos ornamentais do sofá ao chão usando saias de balé respingadas de purpurina. E ouvir, sacudindo o pozinho que caiu na minha calça jeans: "Mamãe, você tá brilhando!"



Ísis e Laís, filhas de Fabiana Esteves






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