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Mulheres fortes que inspiram

Por Fabiana Esteves



Sempre deixei claro o quanto ser criada por mulheres fortes foi essencial para que me tornasse o que sou hoje. Minha avó, Maria, com a força da tolerância, do cuidado e do amor gratuito. Como todos sabem, escrevi um livro em homenagem a ela, tamanha a lacuna que ficou depois da sua partida.


Minha mãe, com a força da leitura, da persistência e da vocação. Escrevo pouco sobre ela, eu acho. Leila. Seu nome significa noite. A boca da noite, que me deu palavra antes que ela brotasse em mim.


Ela me lembra de ler os jornais, mesmo no tempo em que eles não são mais de papel. Me liga às altas da noite para que eu assista pessoas inteligentes falando, pessoas sensíveis falando e se ressente dura se não me dei o trabalho de trocar o canal. Me assopra no ouvido a fala reprimida como que eu nem soubesse falar mas eu gosto. Gosto quando me recorta as crônicas que eu preciso ou gostaria de ler. Ela me lembra de terminar o que comecei, sejam aulas de violão, bolos de batedeira que nunca acerto fazer, curso de inglês ou louças queimando na pia. Nunca me jogou ladeira abaixo para que eu aprendesse a andar de bicicleta. Agradeço por isso. Eu morreria. Publicou todos os meus sonhos, medos, penúrias e gozos, mas sem me cortar os pronomes. Quando acordei não tinha mais roupas, máscaras ou botas de chuva, nem sombrinhas ou óculos. Estava nua em pelo, como vim ao mundo. Pelos braços de quem mais? Dela, da boca da noite que me calava as entranhas em criança. Agora eu falo demais. Desaprender a gente começa todo dia quando não obedece.


Nem sempre obedeci, mas com certeza me inspirei. E você, também tem mulheres fortes na sua vida?


Na imagem acima, a partir do topo: Na primeira foto, Fabiana Esteves autografa seu livro ao lado de sua mãe, Leila Esteves. Na segunda foto, Fabiana Esteves com sua mãe Leila Esteves e sua filha Laís.




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