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Entre a vitrola e o fone de ouvido

Por Fabiana Esteves


Pessoa com discos de vinil nas mãos em frente a uma vitrola

Outro dia vi a cantora Iza dando uma entrevista e ela contou que perdeu os discos de infância numa enchente. Como o pai estava viajando e sempre levava os próprios discos com ele, foram os únicos que sobraram na casa. Então ela começou a ouvir as músicas do pai e aprendeu a amar aquele repertório.


Comigo aconteceu quase a mesma coisa, embora meus discos nunca tenham sido perdidos. Eu tinha minha própria vitrola vermelha e miúda com desenho de Mickey. Podia escutar o que eu quisesse trancada no meu quarto. Mas que graça? Os domingos eram dele (e muitas vezes os sábados também). Na verdade eu nem gosto de música americana, mas não se tratava muito de gostar ou não daquela música, e sim de gostar de vê-lo gostando.


Até hoje nas festas, quando meu pai assume o som, todo mundo faz cara feia, quer pagode, funk ou qualquer outra coisa que não seja aquilo. Eu também deveria fazer cara feia, eu que só gosto de dançar na minha língua pátria, eu que só gosto de cantarolar na minha língua pátria! Mas não. Prefiro me abster de reclamar porque na felicidade dele me vejo quando criança, com aquela raiva de não ter espaço na vitrola.


Hoje a raiva dá lugar à saudade. Saudade de um tempo em que as pessoas ouviam música sem fone de ouvido. Saudade de um tempo no qual brigar por espaço na vitrola era a expressão mais linda de ser família.


Pais e filha de Fabiana Esteves

Na imagem acima, a partir do topo: Na primeira foto, Fabiana Esteves com seu pai, Tage Najar. Na segunda foto, Laís (filha de Fabiana Esteves) com Leila Esteves e Tage Najar (pais de Fabiana Esteves).




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