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Carta à minha prima de longe

Por Fabiana Esteves


Duas mulheres sorrindo


As cartas que trocamos quando crianças amarelaram. Ou foram devoradas pelos cupins? A convivência tão perto… Eu aprendi a boiar na piscina do teu prédio… As primeiras festinhas adolescentes, lembra? Hoje olhamos as fotos daquela época e achamos nossas roupas as mais cafonas, nosso cabelo estranho, não? A vida tem seus desígnios, os rios passam e não é mais possível mergulhar na mesma água, não beberemos do mesmo cálice. Mas ainda gostamos de rock, escrevemos cartas (ainda que nunca as enviemos) e temos saudade dos mesmos abraços. As letras das músicas que ouvíamos antes ainda ecoam. "Então me abraça forte, e diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo... Somos nosso próprio tempo…" Não somos mais tão jovens, mas o Sol ainda brilha lá fora, ainda que nós, contemplando da janela do apartamento, não sintamos seus raios queimando na pele… O tempo é novo, a vida é nova! Tempo, tempo, tempo… Ele não parou, mas não teve o poder de apagar as memórias de infância. Lembra aquela foto em que estamos juntas, na varanda verde dos avós? Você era minha bonequinha, cacheada e de bochechas incrivelmente fofas... Obrigada por fazer parte da minha existência, por ser esta presença que paira, terna, emaranhada pelos nossos laços fraternais. Meu amor por ti continua o mesmo. Acho que tenho até um apego pelas distâncias de corpo, mas não suporto as de alma… Prima, o teu caminho é de luz, ofusca o olhar às vezes, mas é o preço de brilhar… Beijos e abraços novos e antigos, ainda virtuais, mas na esperança, sempre, de se tornarem reais. Te amo!



Fabiana Esteves e sua prima Camila

Nas fotos acima, Fabiana Esteves e sua prima Camila, na fase adulta e quando crianças.







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