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As opiniões aqui emitidas não refletem o pensamento da Editora.

Cada um presta atenção do seu jeito

Por Fabiana Esteves




Tomando café da manhã no domingo, Ísis me pergunta porque as professoras sempre pedem que ela fique sentada enquanto acompanha uma leitura em voz alta. Eu explico que a maioria das pessoas pensa que você só pode prestar atenção em algo se estiver parada, em silêncio, e olhando diretamente para quem fala. Tem gente que acha inclusive que esses são comportamentos básicos de quem aprende. Que não dá para aprender nada sem estas condições. Ela não entende. Não entende porque sabe que aprende mesmo sem estar olhando, em movimento constante e até fazendo outra coisa.


Sempre dou o exemplo de um aluno de dois anos que, na Sala de leitura, nunca olhou para mim, e durante as leituras e cantorias, estava sempre de costas, fazendo outra coisa. Até que na reunião de pais encontro com a mãe que relatava, alegre, como o filho dela repetia em casa todas as histórias que eu contava e todas as músicas que eu cantava. Fiquei pasma. Ela e eu amamos essa história. Ela prova o que já sabemos, cada um tem seu próprio jeito de prestar atenção. Cada um tem seu próprio jeito de aprender. No entanto, ela continua não entendendo porque os professores, os que sabem disso, ainda cobram. Eu tento ser mais clara: "Ísis, o professor quando exige estes comportamentos, ele não está preocupado com você, e sim com os outros. O seu foco depende unicamente do seu interesse, já os outros podem ser muito afetados por estímulos externos, e o seu movimento pode "atrapalhar" a concentração deles. Trata-se deles, não de você."


Lembramos que minha mãe sempre conta como Ísis acompanhava as aulas de Matemática: andando pela sala enquanto resolvia de cabeça os cálculos que estavam no quadro. Nem todo mundo suporta isso. No entanto, vejo que estamos evoluindo no conhecimento de como as pessoas têm formas bem particulares de aprendizagem. Estamos aprendendo, como diz minha mestra Rosaura, a cobrar "de cada um conforme as suas possibilidades" e a oferecer "a cada um conforme as suas necessidades".


Minha amiga Inez, professora particular, descobriu o grande interesse da sua aluna pelo conto da "Bela e a fera", e sentindo como era difícil a concentração da menina em qualquer outra coisa, teve a brilhante ideia de colocar a trilha sonora do filme durante os atendimentos, como fundo musical. Perfeito. A menina, feliz, conseguiu atingir os objetivos propostos pela professora. Quebrou-se o voto de silêncio. Ísis lembrou que não gosta de silêncio total, precisa do barulho do ventilador. Quebremos então o voto de silêncio. Para aprender não é preciso silêncio. E falta de movimento, só na brincadeira de estátua. Não precisamos ver crianças de cabeças baixas em suas carteiras esperando a hora da saída. Que tal esperar cantando e dançando?



Na imagem acima, a partir do topo: Na primeira foto, Fabiana Esteves, em contação, com sua filha Ísis ao seu lado e sua filha Laís sentada, filmando pelo celular. Na segunda foto, Ísis e Laís jogando xadrez gigante.

 

Autoria



Fabiana Esteves é Pedagoga formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNiRIO) e Especialista em Administração Escolar. Trabalhou como professora alfabetizadora na Prefeitura do Rio de Janeiro e no Estado do Rio com Educação de Jovens e Adultos. Trabalhou como assessora pedagógica e formadora nos cursos FAP (Formação em alfabetização Plena) e ALFALETRAR, ambos promovidos pela Secretaria de Educação do mesmo município. Também foi Orientadora de Estudos do Pacto pela Alfabetização na Idade Certa, programa de formação em parceria do município com o MEC. Em 2015 coordenou a Divisão de Leitura da SME de Duque de Caxias (RJ). Atualmente, é Orientadora Pedagógica da Prefeitura de Duque de Caxias, onde tem se dedicado à formação docente. Escritora e poeta, participou de concursos de poesia promovidos pelo SESC (1º lugar em 1995 e 3º lugar em 1999) e teve seus textos publicados em diversas antologias pela Editora Litteris. Escreve para os blogs “Mami em dose dupla” e “Proseteando”. Publicou os livros “In-verso”, "Pó de Saudade", "Maiúscula", "A Encantadora de Barcos" e "Coisas de Sentir, de Comer e de Vestir". É mãe das gêmeas Laís e Ísis.


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