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Ah, as palavras...

Por Fabiana Esteves


Livro aberto com letras saindo e voando

Quem me conhece sabe que a minha grande paixão é a palavra. E para quem gosta das palavras não há coisa mais instigante do que ver alguém aprendendo o significado delas.


Laís era a perguntadeira de plantão, mas volta e meia a Ísis também vinha com a questão mais recorrente aqui em casa na época: "O que é isso?" Qualquer objeto merecia repetir a fala, mas mesmo quando elas sabiam o nome a mesma também valia para perguntar a cor do dito cujo. O pai vivia rindo, elas se intrometiam até no que a gente conversava: "Você tava onde mãe?" "O que aconteceu, mãe?" "O quê, mãe?"


Um dia eu me surpreendi com o espanto da Laís acerca de uma palavra que usei: "Mamãe colocou QUEIJO na sua comida." Ela logo levou a mão ao próprio QUEIXO e perguntou: "Isso aqui, mamãe?", decerto pensando como eu fiz para colocar o queixo de uma pessoa na comida dela... Delírios canibalescos? Eu tentei explicar a diferença de som, mas foi em vão, ela continuava sem entender muito. O significado é bem mais forte, então deixei que ela ficasse pensando que se tratava apenas da mesma palavra que servia para falar de duas coisas diferentes.


Ainda assim, quando a gente comia queijo (ou seja, todo dia, porque eu amo queijo) surgia aquela interrogação no rosto da criaturinha... Até que ela soubesse distinguir os sons do x e do j, não mencionei mais estas observações tediosas vindas da didática... Concentramo-nos no mais importante, que, naquele momento, era curtir a delícia de aprender as manhas da língua portuguesa, enquanto ela não vinha embalada nas chatíssimas regras gramaticais. Deu certo! Ainda hoje elas continuam apaixonadas pelas palavras e por seus múltiplos significados...




Fabiana Esteves e suas filhas Ísis e Laís.




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