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A mesa florida

Por Amanda Meireles



O fim de semana amanheceu no Morro do Sapê. Na cozinha, uma mesa, já virando antiguidade, alegrando a cozinha com flores amarelas delicadamente pintadas na fórmica que resistia ao tempo. Sobre ela, os elementos para o café da manhã postos nos utensílios que se usavam em dia de visita.


Família reunida em volta da mesa, com exceção da mãe, que ainda preparava os últimos detalhes. Cena rara nessa casa com 3 filhas pequenas. Quando me lembro desse dia, penso naqueles comerciais de margarina com pessoas felizes ao redor da mesa.


Enquanto esperávamos e conversávamos, a brava mesa dos anos 70 dava seu último suspiro e se quebrava ao meio, derrubando toda a comida, assim com a louça de visita - que milagrosamente não se quebrou toda - espalhando a família ao seu redor que saltou pra trás com as cadeiras! Questão de segundos. Não deu pra segurar o pão. Nem o leite. Nada.


Depois do susto, nos entreolhamos e caímos em risada. Não me lembro como terminamos o café depois. Minha memória de uma menina de uns 7 anos e sua família num café da manhã termina por aí. Mas me lembro bem da mesa que chegou depois. Feita em madeira parruda, imponente o suficiente para a criança que a admirava.


Algumas vezes precisaremos deixar ir a mesa florida de fórmica. Afinal, não é isso a nossa vida? Acumulamos tantos sentimentos, fardos, preocupações que se misturam às alegrias, emoções e conquistas. Imagine que tudo isso esteja em uma mochila em tuas costas enquanto você escala uma montanha. Com o tempo aprendemos a liberar da mochila os excessos e a carregar apenas o essencial.


Talvez você esteja sobrecarregado por não deixar ir. Talvez você esteja deixando de receber uma nova mesa imponente de madeira por ainda carregar uma velha mesa de fórmica por aí. Quem sabe quantas amizades maravilhosas você tem deixado de estabelecer por estar agarrado à alguma decepção passada? Um novo passo que você ensaiou dar mas desistiu por frustrações enraizadas? Então, aqui estou eu novamente com minha família pra te lembrar o que C. S. Lewis disse uma vez: um homem com as mãos cheias de pacotes não pode receber um presente.




Autoria


Amanda Meireles nasceu em 09 de outubro de 1983, em Duque de Caxias. Mãe apaixonada de Isabela e Isaque, estudante de Psicopedagogia, defensora da inclusão e do acolhimento, intérprete de Libras há 11 anos.

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