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A Arte É Terapêutica

Por Fabiana Esteves



A arte é terapêutica. Um excelente remédio para os males da alma. Eu mesma me curei do abismo da timidez em cima de um palco. O teatro me levou para onde eu nunca jamais teria coragem de ir.


Poderiam me chamar de louca quando decidi trocar uma das terapias da minha filha autista (pela qual eu pagava uma fortuna por mês) por quatro horas de dança por semana para as duas. Saiu bem mais barato, e os benefícios foram incontáveis. Corpo em movimento produz serotonina. Mente que cria sai da inércia, e metas claras (como uma apresentação marcada) são uma mola propulsora para desafiar alguém que se sente diferente.


Desesperei quando li que muitos autistas desenvolvem depressão, e os textos dela me fizeram acreditar que a porta da tristeza profunda estava aberta, e eu não sabia como fechar. Ísis não se sente parte de muitos grupos. Não se sente encaixada, confortável, e o fato de se concentrar em um único assunto a deixa ainda mais longe dos papos pré-adolescentes. Mas a dança lhe deu o que nenhuma terapia conseguiu: autoestima, perseverança, foco...


Quando ela subiu no palco para receber o troféu de incentivo à dança, seus olhinhos brilharam, fagulhas de contentamento se espalharam no lugar. O mesmo se deu no espetáculo de fim de ano. Houve empenho da parte dela sim, mas minha pequena só foi em frente porque se sentiu parte de uma engrenagem. Percebeu que o coletivo pode ser mais do que um amontoado de pessoas.


Sim, mudou para melhor. Mas tenho certeza, ela não foi a única que mudou. Não foi a única que cresceu. Não foi a única que aprendeu. Todos nós aprendemos. Ela nos ensinou a não desistir assim tão fácil. Porque a caminhada está apenas começando… Ainda há muitas pedras no meio do caminho, como escreveu o poeta.


Laís e Ísis, filhas de Fabiana Esteves, em apresentações artísticas



E se você estiver precisando de um remédio para os males do corpo e da alma, experimente a arte. Você não vai se arrepender.



Autoria



Fabiana Esteves é Pedagoga formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNiRIO) e Especialista em Administração Escolar. Trabalhou como professora alfabetizadora na Prefeitura do Rio de Janeiro e no Estado do Rio com Educação de Jovens e Adultos. Trabalhou como assessora pedagógica e formadora nos cursos FAP (Formação em alfabetização Plena) e ALFALETRAR, ambos promovidos pela Secretaria de Educação do mesmo município. Também foi Orientadora de Estudos do Pacto pela Alfabetização na Idade Certa, programa de formação em parceria do município com o MEC. Em 2015 coordenou a Divisão de Leitura da SME de Duque de Caxias (RJ). Atualmente, é Orientadora Pedagógica da Prefeitura de Duque de Caxias, onde tem se dedicado à formação docente. Escritora e poeta, participou de concursos de poesia promovidos pelo SESC (1º lugar em 1995 e 3º lugar em 1999) e teve seus textos publicados em diversas antologias pela Editora Litteris. Escreve para os blogs “Mami em dose dupla” e “Proseteando”. Publicou os livros “In-verso”, "Pó de Saudade", "Maiúscula" e "A Encantadora de Barcos". É mãe das gêmeas Laís e Ísis.

Blog: http://fabianaesteves.blogspot.com

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